18/01/2026

Um Balanço Pessoal: Reflexões, Desafios e Recomeços

Os últimos 30 dias foram um período de profunda introspecção. Minha jornada começou em 17 de dezembro, quando iniciei um pequeno commonplace book, uma prática antiga (como a de John Locke) de registrar e catalogar pensamentos em um caderno, facilitando a consulta futura.

Maior foco na leitura no Rio de Janeiro.

O Desafio do Detox Digital


Próximo ao Natal, viajei para o Rio de Janeiro e intensifiquei meu detox digital. O que antes era apenas evitar o celular, passando a usar o WhatsApp só no computador, tornou-se uma abstinência quase total durante a semana de folga. Levei comigo apenas uma câmera simples para registrar a viagem; o resto, incluindo passagens, foi analógico.


Confronto e Consciência


A parte mais difícil dessa experiência era a solidão da madrugada. Às 3 da manhã, sem a fuga de redes sociais (Reddit, Facebook, Instagram ou X/Twitter), era só eu e meus pensamentos. Questionamentos sobre o caminho percorrido, arrependimentos e "e se" vieram à tona. Foi um período intenso, mas passageiro. Logo entendi que era apenas minha mente buscando se ocupar.


O Valor da Presença


Com o avanço da semana, senti-me cada vez mais presente e atento às pessoas e ao ambiente. Estar sintonizado com o mundo real, observando a história de cada lugar, é gratificante. Isso me fez refletir sobre o paradoxo do mundo virtual: apesar das vantagens, ele cria uma distopia onde somos influenciados pelo algoritmo, mesmo off-line. Esse excesso de influência pode cegar-nos para realidades alternativas que poderiam ser mais satisfatórias.


Meu caderninho me acompanhando na viagem ao Rio.

Superando a Distração e o Superaquecimento Mental


O Ano Novo trouxe metas claras, sendo a principal delas vencer a distração. A sensação de bloqueio ao tentar realizar tarefas simples indicava um "computador interno" cansado. Não bastava só descansar; era preciso convencê-lo a retomar o ritmo. Descobri que escrever, respirar e meditar, eram as chaves para esse reinício.


Comecei observando o que roubava minha atenção, focando na gestão de estímulos em dois níveis: o orgânico (alimentação e sono) e o das respostas emocionais (traumas e história pessoal). No campo orgânico, reduzi ou cortei açúcar, café e outros estimulantes, evitei a televisão por uma semana e priorizei o sono, mantendo o celular longe. Do outro lado, passei a aplicar um certo desdém - ou como já me disseram que sei fazer bem - um estilo blasé a algumas situações, focando apenas no resultado, evitando que minhas emoções me tirassem do foco.


Um Aprendizado Pessoal com a Ansiedade


Lembro-me de um episódio na praia, no Rio, onde sofri uma queimadura solar severa na véspera da volta a São Paulo. Para aliviar a dor, usei compressas de água em temperatura ambiente, percebendo que, além do alívio físico, isso me acalmava. Hoje, repito esse gesto ao sentir a ansiedade surgir. Essa ansiedade, que considero uma resposta a questões pontuais (e não um caso crônico), é combatida com a prática de parar, pensar, me localizar e buscar o retorno à calma.


Disciplina, Finanças e a Diferença entre Urgência e Emergência


O registro constante de pensamentos (3 ou 4 páginas da agenda por dia) tem sido um catalisador para a clareza mental. Percebi que a vida, embora trabalhosa, segue padrões e pode ser tranquila com paciência.


Refletindo sobre o cotidiano, notei uma distinção profunda entre emergência e urgência que inverte a lógica do senso comum e da medicina. Se na saúde a emergência é o risco imediato, na gramática da vida o que nos adoece é o que urge (do latim urgere: o que empurra e aperta). Vivemos em uma distopia que banalizou essa urgência — uma pressão externa que nos esmaga e torna a teoria impraticável. Enquanto isso, a emergência deveria ser vista como aquilo que apenas 'emerge', um processo em curso e, portanto, tratável. O paradoxo é que o corpo padece porque passamos a enxergar o fluxo natural das coisas (emergências) sob a lente do superaquecimento mental (urgências), transformando o que deveria ser movimento em puro peso e opressão.

Minha iluminação (motivada pelo descanso e maior foco) levou-me a encarar até mesmo a resolução da minha situação financeira. Estou em processo de negociação de dívidas, o que resultará em juros altos e mais de um ano de foco total. No entanto, a esperança de iniciar 2027 tranquilo compensa. O aprendizado é a necessidade de disciplina, limites e pé no chão, o que me conecta à gestão de desejos e respostas a estímulos.


Com esses passos, entro no segundo mês, esperando manter um caminho positivo.

 


09/01/2026

A informação que ajuda a facilitar a vida

Olá, querido leitor!

Hoje quero falar sobre a importância da informação. Mas não aquela dos jornais sobre política ou esportes; falo da informação do dia a dia, aquela que facilita a nossa jornada.

Esse estalo veio durante um detox digital que fiz em dezembro. Ao me permitir o tédio, passei a observar o trajeto de 1h45 que faço até o trabalho. O que antes era um martírio, mudou quando comecei a decorar cada estação e avenida do corredor de ônibus. Ao me "apropriar" do trajeto, a sensação de tempo diminuiu drasticamente. O mundo real não mudou, mas a minha percepção, sim.

Foto ilustrativa de uma maquete que fotografei ao visitar o Museu do Transporte em 2017.


A clareza reduz a ansiedade

Notei o mesmo em situações mais delicadas, como nos hospitais. Acompanhando meu pai em consultas, percebi que o grande vilão não é apenas a espera, mas a falta de clareza sobre o processo. O "ir de porta em porta" sem saber o que vem depois gera um desconforto enorme.

Passei a fazer o seguinte: rabisco o processo num papel, estimo os tempos e me preparo antes de sair. Milagrosamente, a experiência tornou-se mais leve.

Onde mais isso se aplica?

  • Finanças: Entender exatamente quais taxas você paga no banco.

  • Logística: Monitorar horários reais via aplicativos (como Moovit ou Cittamobi).

  • Impostos: Saber prazos e valores com antecedência.

O mundo pode ser confuso e mal administrado, mas temos o poder de "limpar a sujeira dos nossos olhos" através da informação. Quando entendemos o processo, chegamos ao destino com muito mais tranquilidade.

E você? Já sentiu que o desconhecimento de um processo tornou sua rotina mais pesada?

08/01/2026

O belo show de Sinatra no The Royal Festival Hall (1970)

Nesta semana contei aqui minha aventura no Pequeno Mundo dos Cds, um sebo muito interessante localizado no centro do Rio de Janeiro. Uma das minhas aquisições prediletas foi este especial com o lendário Frank Sinatra gravado em Londres.

DVD do especial em frente a minha simpática Philips 12 polegadas preto e branca de 1992.



Intitulado "Sinatra in Concert at The Royal Festival Hall", o especial foi exibido em 22 de novembro de 1970 pela BBC e teve a introdução apresentada por ninguém menos que a saudosa Grace Kelly, a Princesa Grace de Mônaco, que lembrou sua parceria com o cantor no filme High Society (1956).

O DVD trouxe a apresentação de 12 grandes sucessos, como: You make me so Young, The Lady is a Tramp e My Way. A direção musical ficou por conta de Bill Miller e a produção de Harold Davison. 

No Youtube, há trechos deste especial, como este vídeo:


06/01/2026

Dica de documentário: "Máquina de um Tempo" (2015)

Olá querido leitor,

Em 2015, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará fez um documentário sobre a paixão de pessoas de diferentes profissões pela máquina de escrever. A produção entrevistou jornalistas, desembargadores, escritores e técnicos para entender o que de tão sedutor existe no toque das teclas mecânicas que ajudaram a escrever as páginas da história dos últimos séculos antes da chegada do computador e da internet.

Documentário produzido pela ALECE com 25 minutos e muito bem redigido e montado.


Assista no player abaixo e depois comente o que achou. Espero que gostem!

Ah, em breve, vou escrever aqui sobre a minha mais recente aquisição: uma bela Olivetti Lettera 32 salmão!




Informações técnicas:

Concepção e Roteiro: 
Angela Gurgel e Marcelo Alves

Produção:
Ana Célia de Oliveira

Montagem:
Daniel Cardoso
Vinícius Augusto Bozzo

Direção de Fotografia:
Marcelo Alves
Vinicius Augusto Bozzo

Cinegrafistas:
Cristiano Freitas
Nilson Filho
Fábio Ferraz

Um pequeno mundo mágico - Os DVDs no centro do Rio de Janeiro

Imagine uma grande gama de filmes por apenas 2 reais. Sim, isso existe... no centro do Rio de Janeiro!

Durante a semana do Natal, passei alguns dias na casa dos meus familiares e, antes da viagem, fiz uma lista dos locais onde ainda se comercializavam filmes e shows neste formato. Listei três ou quatro, mas acabei visitando apenas um, o que me chamou mais atenção: O Pequeno Mundo dos CDs, localizado na Rua Sete de Setembro, 190, próximo ao Largo da Carioca. 


Foto: Gerlan Cidade - Disponível no Google


Descobri este local a partir de um vídeo disponibilizado no Youtube, onde amigos exploraram as opções da redondeza. A organização e a limpeza foram os aspectos que mais me atraíram. Ao chegar a loja, facilmente acessível por metrô a partir da estação Carioca, fiquei impressionado com a quantidade de encomendas que eles estavam colocando em um caminhão. Aqui tem o link da loja. Era muita coisa! 


Vídeo postado no canal Oswaldo Marchi


Logo, comecei meu garimpo. Fui acompanhado pelo meu pai e ele também foi escolher alguns títulos na seção de música. Ele se impressionou quando a pilha que eu comecei a formar com minhas escolhas começou a ficar MUITO grande. Ao saber do preço, ele se acalmou. Olha só: em uma das áreas principais, a unidade custava 2 reais ou 4 unidades por 5 reais. É irresistível para qualquer colecionador, não é mesmo? É claro que não são todos filmes altamente aclamados, sendo que estes têm seus preços maiores, como foi o caso da edição especial de 007 - Tomorrow Never Dies (R$ 30,00) e The Day After (R$ 15,00), os quais eu sonhava em ter em minha estante e que consegui adquiririr. De toda forma, considerando estes dois e outros 26 títulos, incluindo um VHS, minha conta ficou em 86 reais... nada mal!


Parte da minha sacola...

Na hora de fazer o pagamento, olha só o que tinha perto do caixa. Assim como no filme de James Bond, The Zoeira Never Dies!


Zoeira pós-final da Copa do Brasil. Tirei a foto um dia depois da vitória do Corinthians sobre o Vasco.


Aqui está o endereço para que você, em sua próxima visita ao Rio de Janeiro, possa curtir uma expedição ao meio de tantos tesouros. Espero que goste!

Ah, aproveite para acessar o instagram deles neste link.


04/01/2026

Meu gosto por cinema clássico

        Estou curtindo uma tarde amena de domingo assistindo ao clássico “O Homem que Sabia Demais”, dirigido por Alfred Hitchcock e lançado em 1956. Ontem, foi dia de rever “007 - O Espião que me Amava” e resolvi, então, escrever um pouco sobre esse meu gosto.


Foto de agora (6h47m P.M. 04.01.2026) onde assisto a'O Homem que Sabia Demais".

        Uma das premissas do cinema é servir como uma válvula de escape para a realidade, transportando-nos para realidades alternativas. O filme ideal para alcançar este objetivo varia conforme os desejos de cada espectador. Por isso, há quem goste de projeções futuristas, fantasiosas ou mais clássicas, como é o meu caso. 


        Desde pequeno eu assisto a filmes do tipo. Entretanto, só a partir de 2010, com a internet em casa, consegui acessar os clássicos dirigidos por Hitchcock e Kubrick e as assustadoras produções da Hammer com as icônicas histórias de Drácula. E logo me identifiquei com estas obras de arte. Por algum motivo, eu gosto muito de filmes mais simples, construídos sobre uma história linear, pouca computação gráfica e muito talento na interpretação. 


        É um privilégio ver histórias com Grace Kelly, James Stewart, Doris Day, Cary Grant, Eva Marie Saint, Peter Cushing, Christopher Lee, Roger Moore, dentre outros. Podemos identificar aqui um certo padrão, no qual entendemos que gosto muito de um humor peculiar, elegância, diálogos bem construídos e aquela cumplicidade no olhar nas mais diferentes situações. Uma classe que hoje em dia não é tão vista, mas não quero bancar aqui o saudosista de uma época que não vivi. É apenas uma representação, na tela, do que eu gosto de ver e para onde eu acho divertido me teletransportar.


        Puxando pela memória, lembro que este gosto se tornou mais forte quando eu trabalhava até de madrugada e chegava em casa por volta das 3 da manhã. Logo tomava um café e colocava algum destes filmes para rodar na Netflix (na época, a maioria estava por lá). Quantas histórias me divertiram, nossa, eu lembro com muito carinho daquela época. Com o tempo, fui encontrando estas obras em DVDs em minhas expedições pelos sebos.


        Uma coisa legal é que eu sempre revisito eles. Como sabemos, as obras de Hitchcock são de suspense, então, de certa forma eu já sei o final. Mas cada vez que assisto, eu descubro algo novo para observar. Anos passam e com a minha evolução, naturalmente, consigo identificar outras nuances na narrativa, deixando a experiência sempre nova.


        E você? Qual a sua relação com a sétima arte? Até o próximo texto!

03/01/2026

Profissionalismo na prática

Olá, querido leitor. 

Espero que tenha passado bem o fim de ano. Começo 2026 com uma rápida observação sobre algo que chamou minha atenção durante minha viagem de 1 semana ao Rio de Janeiro na semana do Natal.

Se tem algo que eu admiro muito é o profissionalismo. É bonito ver uma pessoa fazer o seu ofício sem desespero, reclamações ou murmurações. É claro que para chegar a este ponto é preciso ter uma criação muito evoluída ou ser consciente o suficiente para ir se adequando com o passar dos anos. 

Foi isso o que vi em relação ao motorista da empresa Águia Branca no retorno a São Paulo. Um senhor na altura dos seus 50 anos, tranquilo, educado e bem alinhado tratou a todos com o respeito devido e a calma necessária em momentos onde foi necessário resolver problemas.

Õnibus da Águia Branca. Foto tirada na viagem de ida. Uso apenas para ilustração, já que o evento retratado foi na viagem de volta. Imagem corrigida com ajuda do Gemini, pois tirei em uma câmera baratinha.


Por exemplo, pouco tempo depois de entrarmos na Rodovia Presidente Dutra, observou-se que um ônibus havia quebrado e que seria preciso realocar os passageiros no veículo onde estávamos. Com a maior calma do mundo, ele atendeu um a um e teve o cuidado especial com uma mãe atípica acompanhada por seu filho TEA. O nível de profissionalismo foi tão grande que não se ouviu nenhum passageiro reclamar do pequeno atraso causado por essa eventualidade em relação ao ônibus que havia quebrado. 

A cada informação solicitada, uma resposta educada e bem pontuada. Quando possível, um sorriso paciente. E assim a viagem seguiu até São Paulo, quando chegamos às 22:40 de sábado. O senhor motorista apenas desceu sem deixar transparecer em momento algum que havia enfrentado 6 horas de viagem.

Eu fiquei vendo aquilo e quando voltava para casa pensei no exemplo. Como quero ser assim um dia. Embora responsável, eu confesso que às vezes me preocupo muito com as situações que me cercam. Esse nível de autocontrole é necessário tanto para o trabalho ser bem realizado quanto para a manutenção da nossa saúde mental, né?

Querido leitor, obrigado por mais um ano junto. Que 2026 seja de grandes realizações para todos nós!