Os últimos 30 dias foram um período de profunda introspecção. Minha jornada começou em 17 de dezembro, quando iniciei um pequeno commonplace book, uma prática antiga (como a de John Locke) de registrar e catalogar pensamentos em um caderno, facilitando a consulta futura.
O Desafio do Detox Digital
Próximo ao Natal, viajei para o Rio de Janeiro e intensifiquei meu detox digital. O que antes era apenas evitar o celular, passando a usar o WhatsApp só no computador, tornou-se uma abstinência quase total durante a semana de folga. Levei comigo apenas uma câmera simples para registrar a viagem; o resto, incluindo passagens, foi analógico.
Confronto e Consciência
A parte mais difícil dessa experiência era a solidão da madrugada. Às 3 da manhã, sem a fuga de redes sociais (Reddit, Facebook, Instagram ou X/Twitter), era só eu e meus pensamentos. Questionamentos sobre o caminho percorrido, arrependimentos e "e se" vieram à tona. Foi um período intenso, mas passageiro. Logo entendi que era apenas minha mente buscando se ocupar.
O Valor da Presença
Com o avanço da semana, senti-me cada vez mais presente e atento às pessoas e ao ambiente. Estar sintonizado com o mundo real, observando a história de cada lugar, é gratificante. Isso me fez refletir sobre o paradoxo do mundo virtual: apesar das vantagens, ele cria uma distopia onde somos influenciados pelo algoritmo, mesmo off-line. Esse excesso de influência pode cegar-nos para realidades alternativas que poderiam ser mais satisfatórias.
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| Meu caderninho me acompanhando na viagem ao Rio. |
Superando a Distração e o Superaquecimento Mental
O Ano Novo trouxe metas claras, sendo a principal delas vencer a distração. A sensação de bloqueio ao tentar realizar tarefas simples indicava um "computador interno" cansado. Não bastava só descansar; era preciso convencê-lo a retomar o ritmo. Descobri que escrever, respirar e meditar, eram as chaves para esse reinício.
Comecei observando o que roubava minha atenção, focando na gestão de estímulos em dois níveis: o orgânico (alimentação e sono) e o das respostas emocionais (traumas e história pessoal). No campo orgânico, reduzi ou cortei açúcar, café e outros estimulantes, evitei a televisão por uma semana e priorizei o sono, mantendo o celular longe. Do outro lado, passei a aplicar um certo desdém - ou como já me disseram que sei fazer bem - um estilo blasé a algumas situações, focando apenas no resultado, evitando que minhas emoções me tirassem do foco.
Um Aprendizado Pessoal com a Ansiedade
Lembro-me de um episódio na praia, no Rio, onde sofri uma queimadura solar severa na véspera da volta a São Paulo. Para aliviar a dor, usei compressas de água em temperatura ambiente, percebendo que, além do alívio físico, isso me acalmava. Hoje, repito esse gesto ao sentir a ansiedade surgir. Essa ansiedade, que considero uma resposta a questões pontuais (e não um caso crônico), é combatida com a prática de parar, pensar, me localizar e buscar o retorno à calma.
Disciplina, Finanças e a Diferença entre Urgência e Emergência
O registro constante de pensamentos (3 ou 4 páginas da agenda por dia) tem sido um catalisador para a clareza mental. Percebi que a vida, embora trabalhosa, segue padrões e pode ser tranquila com paciência.
Minha iluminação (motivada pelo descanso e maior foco) levou-me a encarar até mesmo a resolução da minha situação financeira. Estou em processo de negociação de dívidas, o que resultará em juros altos e mais de um ano de foco total. No entanto, a esperança de iniciar 2027 tranquilo compensa. O aprendizado é a necessidade de disciplina, limites e pé no chão, o que me conecta à gestão de desejos e respostas a estímulos.
Com esses passos, entro no segundo mês, esperando manter um caminho positivo.











