O presidente Ronald Reagan costumeiramente fazia piadas tendo como alvo os soviéticos. Do lado contrário, Leonid Brezhnev cedia seu lugar a Yuri Andropov depois de 18 anos. Por sua vez, Yuri ficou apenas dois anos no cargo, saindo em 1984. O momento não era dos melhores e já previa o fim do regime vermelho.
A tensão aumentou e a ameaça de um ataque nuclear fez americanos e soviéticos revivessem a crise na baia dos Porcos quando em 1961, durante o governo Kennedy, Moscou apontou mísseis em Cuba em direção ao território norte americano. Foi por pouco.
Desta vez, prevendo o pior, a rede americana ABC produziu um filme chamado "The Day After". Podemos compará-lo ao clássico do rádio "Guerra dos Mundos" (1938), quando uma transmissão feita por rádio atormentou milhares de pessoas que acreditaram que o planeta estava sendo atacado por extraterrestres. Desta vez não foi surpresa e as pessoas sabiam que se tratava de um filme. Mas o seu realismo não impediu que o medo se espalhasse.

Pessoas se aglomeraram em igrejas e bares. Idosos não queriam assistir sozinhos a obra que imaginava o que poderia acontecer caso a ameaça se tornasse realidade: uma pequena cidade seria atacada por bombas atomicas que devastariam seu território e deixariam sua população em risco total.

No mundo real, as ruas de Nova York ficaram vazias. As equipes da WABC-7, afiliada da rede que produziu o filme rodaram a cidade. O impacto foi tamanho que logo após a exibição, o apresentador Ted Koppel ancorou, direto de Washington, um especial entrevistando políticos e cientistas. Nas igrejas, os fiéis escreveram pedidos, dobraram os papeis e fizeram longas correntes para serem enviadas ao presidente.
O filme se tornou um clássico entre aqueles feitos diretamente para a TV. A ideia da emissora era propor uma reflexão, tentar fazer a sociedade se mover na direção do fim dos conflitos. Como podemos celebrar hoje, "The Day After" ficou apenas na ficção.
Veja o filme abaixo:
E, aqui, o grande debate exibido logo depois:

0 comentários:
Postar um comentário