Brasil, 2009: O país do futuro parece ter finalmente encontrado o seu rumo. Economia estabilizada, firme e que estava suportando bem a crise financeira internacional provocado pela quebra do sistema de financiamento imobiliário nos Estados Unidos. Éramos a bola da vez -- Copa e Olimpíada garantidas e promessas de mais investimentos. Mesmo que saibamos hoje que muito daquilo era inflado, na época, com algumas excessões, a maiora estava esperançosa com um país melhor.
Sempre acreditei que exemplos são fundamentais para a evolução de qualquer ser humano, seja na área profissional ou pessoal. Até mais que simples conselhos, o exemplo permite acompanhar dia a dia a eficácia das crenças e dos métodos empregados pelas pessoas que consideramos "de sucesso". Na "era de ouro" do Brasil na década passada, era possível encontrar, nas páginas de jornais, empresários comprometidos com um país melhor, políticos que estavam dispostos a combater o crime ou que estavam interessados em abrir vagas de emprego com a atração de investimentos internacionais.
Brasil, 2017: Hoje, muitos destes "exemplos" estão presos ou cairam em total desgraça: Eike Batista, Sérgio Cabral, Joesley Batista entre outros. O primeiro destes três chega a chamar a atenção. Em suas entrevistas, costumeiramente passava boas palavras, otimismo, incentivava o brasileiro a ser mais autoconfiante... Enfim, o que ele falava continua válido: temos sim de acreditar na nossa força, nas nossas ideias, investir em educação e infraestrutura. Entretanto o que se seguiu na história de Eike dá a todo brasileiro a sensação de ter sido enganado. E aí mora o perigo!
O perigo é que a população saia do otimismo exagerado de alguns anos direto para o pessimismo. O ideal é que estivessemos mais realistas do que nos extremos. Meu medo é que esses maus exemplos, justamente por se tornarem conhecidos por discursos corretos, façam com que a população deixe de acreditar que é possível crescer, investir e fazer um país melhor. Não podemos deixar de acreditar que esse país é forte o suficiente, apesar de seus inúmeros problemas, para superar as dificuldades.
A esperança é que com o passar das décadas, já que esse é um processo muito longo, consigamos cultivar a cultura de acreditar e compartilhar nossas experiências, sermos mais generosos (não estou falando de dinheiro, mas de se doar a sociedade) e tomar conta de nosso país, sendo todos nós o exemplo de povo que se respeita e quer uma vida melhor. Desta forma podemos anular a necessidade de personificar o sucesso e aprender que isso é um processo que pode ser seguido por todos, sabe, se tornar algo enraizado na nossa educação. Assim, talvez, o nível de decepção diminua.
12/09/2017
O dano que maus empresários e políticos fazem a confiança do brasileiro
Posted on setembro 12, 2017 by Arthur Vieira
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