Durante minhas aulas de inglês na adolescência, chamou-me a atenção a quantidade de classificações para pessoas do nosso círculo social. Relaciono-as abaixo:
Acquaintance / Contato: Um conhecido, porém não é próximo. Você a encontra no corredor e em eventos sociais, mas sem ser por sua iniciativa.
Colleague / Colega: A pessoa com quem você trabalha, estuda, enfim, está ligado por alguma atividade social em comum.
Casual Friend / Casual: Alguém com quem você se sente emocionalmente ligado, sente-se confortável em encontrar e conversar num almoço.
Close Friend / Próximo: Você divide tempo regularmente com essa pessoa e pode contar com ela. Você se sente confortável para contatá-la sempre que necessário.
Intimate Friend / Íntimo: Finalmente, aquela pessoa com quem você pode dividir e contar tudo sem qualquer julgamento.
(Fonte: https://socialself.com/blog/difference-friend-acquaintance/)
São tantas camadas que se torna até um pouco burocrático, não? Mas olhando com calma, essa classificação nos ajuda a entender porque aqui no Brasil temos tantas decepções com algumas relações. Deixando bem claro que o carinho, o respeito e admiração deve ser igual do “acquaintance” ao “intimate friend”, ao entendermos o status de cada um, ajustamos nossas expectativas. Ou seja, não se trata de intensidade, mas do que esperar e em quais áreas haverá respostas.
Assimilar tais conceitos é importante até mesmo para a saúde destas relações. Quanto mais entendemos, menos exigiremos do outro. O desequilíbrio entre as perspectivas é o grande fator que faz com que relações sociais se tornem distorcidas e caminhem para o fim ou para uma inatividade inquietante.
Vamos a um exemplo: quantas vezes eu ou você já admiramos uma pessoa que só vimos uma vez na vida, passamos a segui-las e nunca interagimos ou quando o fazemos temos apenas uma breve resposta? A primeira reação é a defensiva: “Poxa, fui tão legal com fulano (a) e ela sequer tirou um tempinho para me responder melhor!”. Aí está: para a outra pessoa, você pode ter sido apenas alguém gentil e que já foi respondido. Para a pessoa, ela foi atenciosa e civilizada, porém para quem iniciou a interação a sensação é de desprestígio. Por que? Por não saber classificar as relações dentro de suas categorias corretas.
Se você entende que o seu destinatário é uma pessoa que pode ter interagido com muitos novos contatos durante o dia e que respondeu a todos, passa a compreender que é normal existir uma resposta mais curta. Você ainda é um "contato". O aprofundamento desta relação se dará pelo tempo, com dedicação e a descoberta se há ou não uma sintonia entre os dois. Até o momento, sua decepção justifica-se apenas pela projeção que você tinha de como deveria ser tratado. Fica nítido como somos muitas vezes donos do que sentimos e pensamos.
A mobilidade entre estas classificações é perfeitamente possível, porém demanda tempo, dedicação e, claro, sintonia entre as partes. Não é uma certeza, pois inúmeras variantes podem influenciar, como a fase pela qual a pessoa está passando, a percepção geral que ela tem do outro e de seu círculo, etc.
Retornando a questão inicial, normalmente, temos o costume de justamente tratar todo mundo como amigo e se der um tempinho a mais já vira da família. E isso, infelizmente, não é saudável, pois promove essa distorção em nossa visão. Nutrir relacionamentos é uma arte e saber ser tratado é um aprendizado diário.
Assim é possível ter uma vida mais plena e fluída.

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