Num mundo em que tínhamos que pagar a internet por minuto, uma operadora resolveu pagar para os usuários serem seus clientes. A Intelig praticamente inventou o cashback. Neste texto eu conto para vocês como foi o surgimento dos Piis!
Há alguns dias, contei sobre o carinho que nutri pelo Shoptime, meu companheiro de madrugadas enquanto eu sonhava com toda aquela sorte de eletrônicos sendo vendidos na televisão. Hoje, eu continuo essa história e falo sobre o InteligWeb, um capítulo importante na internet brasileira na segunda metade dos anos 2000. Vamos lá?
Para começo de conversa, é importante relembrar que a Intelig era uma das operadoras de telefonia que gostavam de se mostrar como modernas. No início daquela década, quando o leque de DDDs aumentou indo além de Telefônica (15) e Embratel (21), a Intelig surgiu com uma forte campanha publicitária. Ela se dizia "Inteligente", daí o nome, e sempre com as melhores tarifas para dentro ou fora do país.
Separei aqui um comercial com a linguagem bem comum daqueles anos, com câmera ágil e grandes personalidades:
Em 2005, a Intelig entrou no concorrido e promissor mercado dos provedores de internet discada. Praticamente todo grande portal ou operadora contava com o seu, um aplicativo que fazia a ponte entre o computador e a internet via linha de telefone fixa. Para quem não conhece o modelo, a conexão era como uma chamada telefônica e, por isso, cobrada por pulsos, uma medida que as operadoras usavam. A conta não era precisa, mas um pulso costumava corresponder a 4 minutos e custar em torno de 30 centavos.
Aí você já imagina o drama de conectar o computador. A velocidade era tão lenta que para o download de um vídeo de 1 minuto, que pesava em torno de 1MB, levava-se 16 minutos à uma velocidade de 33 kbps. Ou seja, para baixar este vídeo, você gastava R$ 1,20. E mais: a linha telefônica da casa ficava ocupada durante todo o período.
A solução era esperar uma colher de chá oferecida pelas operadoras. De segunda a sexta, a partir da meia-noite até as seis da manhã, era possível se conectar à internet pagando apenas um pulso pelo período que a conexão durasse. Se faltasse energia ou caisse a rede, era necessário pagar de novo.
Aos fins de semana, vinha a festa: a partir das 14 horas de sábado até às 6 horas da manhã de segunda feira o uso funcionava do mesmo jeito das madrugadas. Sim, cansei de deixar o PC ligado direto por dois dias e pagar apenas 30 centavos.
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| Esse era o famoso discador que dava dinheiro |
Até que, por volta de 2008, num dos inúmeros merchans do Pânico na TV, na RedeTV!, o Emílio anunciou uma grande novidade: a Intelig passaria a pagar para que usássemos o discador dela. E o melhor: eram 45 centavos por hora. Os bônus eram chamados de Piis e podiam ser trocados em lojas como Americanas na internet. Na hora, meio desconfiado, fiz o meu cadastro e embarquei na ideia.
Todas as madrugadas eu ganhava R$ 2,70 e no fim de semana mais R$ 18,00. Por mês, dava uma faixa de R$ 80,00 na minha conta digital. A diversão foi tanta que, com o tempo, consegui comprar filmes e até mesmo um celular com o qual tanto sonhava: a versão pobrinha do V3, o W220, esse da foto abaixo. Paguei em torno de R$ 300,00 nele.
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| Fiquei fissurado nele. Foi o primeiro com chip da Vivo. |
Enfim, o programa durou bastante, até meados de 2012. Os motivos para o fim, além do avanço da banda larga, foi o grande número de pessoas que contratavam inúmeras linhas telefônicas para mantê-las ligadas à rede da empresa. O esquema era conhecidíssimo nas comunidades do Orkut, o "Facebook" da época.
Somado a isso, a Intelig sofreu processos das concorrentes que alegavam perdas com conexões, principalmente a Oi, que precisava fazer um repasse a Intelig cada conexão. Entre 2007 e 2010, a empresa disse ter tido que pagar R$ 20 milhões à concorrente.
Enfim, como sempre, o jeitinho brasileiro afundou uma ideia bacana... Mas foi legal aproveitar e, de certa forma, a InteligWeb foi o meu primeiro contato com as compras online, algo que hoje faz parte do nosso dia dia. E você, chegou a aproveitar essa promoção?
Até o próximo texto!



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