03/09/2022

Quadros de programas de áuditório reciclados: é possível recuperar a vibe de ontem?

Por Arthur Vieira

Jornalista e Radialista formado pela Fiam Faam de São Paulo

Escreve desde 2007 neste espaço. 


Apesar de recuperar boas ideias dos tempos áureos, a TV precisa voltar a ser quente, viva e circense.


As colunas de televisão volta e meia elogiam a revolução que Marcos Mion tem feito na programação de sábado da TV Globo. É louvável, pois conseguiu mostrar que o público deseja o óbvio: felicidade e risos fáceis. Ele apostado, inclusive, em fórmulas consagradas que conquistaram gerações, principalmente à partir dos anos 1990.



A única questão que a televisão de hoje - e não é apenas na Globo - ainda não entende é que ela se deixou dominar pela edição em excesso. Perdeu-se a espontaneidade. É bem verdade que o quadro " Toque de Caixa", do Caldeirão, é tão divertido quanto na época em que Gugu fazia nos idos de 2001 no SBT. A diferença? O Domingo Legal era tão ao vivo que no momento em que a morena do É o Tchan tentava, de olhos fechados, descobrir se era uma cobra ou um sapo na caixinha, o apresentador poderia interromper com uma rebelião ao vivo direto do Carandiru. Tudo isso cercado por bailarinas em um estúdio confortável, devidamente iluminado, sem filtros de imagem e com um característico eco.



Esse frescor faz falta. Hoje, para seguir o "padrão internacional" de programas bem editados de 30 minutos da TV dos Estados Unidos, editam-se risadas, planejam-se inserts, tudo é minimamente calculado e com direito a replays em excesso com diversos efeitos para estimular, ao máximo, o telespectador. Mas ele não quer isso. Ele quer ao bom e velho circo, aquele que você sabe que está acontecendo na hora, com todos os riscos de... entrar para a história e conquistar a memória do telespectador. 

Pode-se argumentar que com o mundo de hoje - muito mais efêmero e dinâmico que o de 2001 - a atenção se dispersa rápido demais ou que ela evoluiu e por isso é mais moderna. Mas, sinceramente, do que os jovens estão gostando mesmo? Do Tik Tok, uma plataforma extremamente simples, intuitiva e... brega! Sem nenhum juízo de valor, é a naturalidade que reina. Não precisa baixar o nível, é só ser vivo e empático com a realidade do povão.

De novo: eu acredito firmemente que a televisão brasileira de fato pode ter nascido do rádio, mas sua alma é circense. Não é de cinema, nem do teatro. Programa de auditório tem que ser estimulante. Longe de ser uma análise apenas do Caldeirão. Isso vale para o geral, parece uma questão de linha de pensamento da nova geração de diretores e eu respeito isso, apesar de torcer - como telespectador - que um dia voltem a fazer uma televisão quente no geral. Viva e empolgante. 

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