O 11 de setembro na minha vida em 2001
Como interessado em jornalismo e televisão, além de gostar de política, encontrei relatos deste dia histórico em minhas pesquisas e estudos. Sim, várias e várias vezes ouvi de meus colegas, que eram crianças na época, a reclamação de que seu desenho preferido "Dragon Ball Z" fora interrompido pelo plantão da Globo. Não lembro bem, mas acho que vi um pequeno flash na Record, embora eu não tenha perdido meus desenhos, já que só assistia ao Bom Dia e Companhia, no SBT, e por lá o plantão foi mais tarde. Essa mudança para o canal 7 (aqui em SP) deve ter sido em algum intervalo.
| Essa imagem é apenas ilustrativa, já que esse plantão foi ao ar a tarde, já dentro do Cidade Alerta |
São 16 anos entre aquele dia e hoje, mas consigo lembrar claramente que deve ter sido minha primeira "experiência" como repórter. Aos sete anos, cheguei para mais um dia de aula da primeira série. Era uma terça-feira e um pouco diferente das demais escolas, onde se cantava o hino apenas às quartas, no Dale Coutinho era comum fazê-lo todos os dias. Após essa parte protocolar, a professora, na quadra coberta, chamou alguns alunos para subir no palco e explicar o que havia acontecido. Fui um deles. Enquanto meus colegas falavam que um "avião tinha explodido", eu já fui na lata: "Um avião derrubou as torres gêmeas em Nova York, nos Estados Unidos hoje de manhã".
Lembro que mesmo pequeno, ao chegar da escola por volta das sete, continuei assistindo as notícias. Não compreendia bem tudo aquilo, mas alguns símbolos acabam gravando bem e chamando a atenção de uma criança, como a icônica barba de Bin Laden, figura que se tornou conhecida nos dias seguintes.
O 11 de setembro para o comunicador em 2017
Hoje, depois de tantos anos, como escrevi há pouco, volta e meia me deparo com esse assunto novamente. Nos últimos meses tenho estudado a história de um dos maiores âncoras da televisão norteamericana, o canadense Peter Jennings (que faleceu em 2005). Ele era conhecido por suas longas coberturas ao vivo e cerca de um ano antes havia feito a maior cobertura de reveillon da história: quando ficou 23 horas ao vivo sem descanso transmitindo dos recém-inaugurados estúdios da rede ABC na Times Square.
Na ocasião do 11 de Setembro ou 9/11, como chamam os americanos, Peter começou a cobertura logo pela manhã depois da exibição do matinal Good Morning America, apresentado por Diane Sawer e Charles Gibson. Mesmo habilidoso com as palavras, ele ficou com apenas uma expressão ao ver a segunda torre ser atingida (a primeira fora atingida ainda durante o GMA): "Oh, my God!"
Tive a oportunidade de ler o livro Peter Jennings: A reporter's life, sobre a vida deste grande jornalista. No capítulo dedicado aos atentados, há a informação de que enquanto os telespectadores recebiam a imagem da segunda torre desabando, na redação ele pediu para que todos parassem o que estavam fazendo e olhassem para o monitor e refletissem sobre suas vidas e o amor pelo seu país e família.
Família foi uma constante naquele dia. Durante a correria do plantão, ele foi surpreendido por uma ligação de seu filho, Christopher, ainda criança. Ao voltar para o ar, emocionado, Peter recomendou a todos que ligassem para seus filhos e perguntassem como eles estavam. A cobertura se estendeu durante mais de 17 horas ao vivo e a participação dele na grade da emissora chegou a 60 horas ao vivo durante aquela semana.
| Peter após 17 horas ao vivo |
O exemplo de Peter funciona para o comunicador e para a pessoa que estou sendo. O exemplo do trabalho, da paixão pelo país e pela a história das pessoas -- e também a importância da figura da família. O 11 de setembro foi um momento marcante na vida de todo o mundo, onde toda uma reflexão foi despertada, infelizmente não de forma pacífica, como sabemos, com o início de diversas guerras e uma onda de preconceito contra povos islâmicos. Pensando nisso, como especialista na área sendo correspondente por mais de 7 anos, Peter produziu um documentário de 50 minutos sobre a vida no Oriente Médio, para provar que diferente do que muitos pensam, o povo daquela região não pensa apenas em radicalismo, embora tenha suas tradições.
Foi outra grande aula. Pude aprender tudo isso apenas agora, doze anos após a morte deste jornalista. Mas me ajudou muito a compreender o mundo em que vivo. Continuo acreditando que isso é o que acontece quando o jornalismo é bem feito.
Reflexão final
Entendo que é utopia pensar em um futuro sem conflitos, mas espero que eles se reduzam com a evolução da sociedade. Isso não é fácil, pois essa noção de evolução é diferente em cada cultura, mas quem sabe com respeito isso possa caminhar. Esse foi apenas um dos muitos dias que marcaram a história da humanidade, mas posso compreender o quanto foi importante para entender o mundo, por isso, recomendo ainda aos amigos leitores que continuem estudando a história, lendo, conhecendo e refletindo, para que possam ser mais conscientes ainda sobre a realidade e o porquê das coisas.
Um abraço

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