14/09/2017

A maldita e perigosa intolerância religiosa

Circula esta semana no Facebook vídeos de pessoas destruindo terreiros de umbanda. Em outro momento, conforme informado pelo jornalista Ricardo Feltrin, do UOL, um dos caçulas entre os telepastores utilizou uma garrafa de Coca Cola para simular a imagem de Nossa Senhora Aparecida, isso 22 anos depois de uma imagem receber chutes em rede nacional, um dos casos que chocou a comunidade católica brasileira e despertou reações violentas por todo o país.



Sou católico e a cada quinze dias vou a missa pessoalmente ou assisto alguma via internet. Ao longo da vida procurei sempre combinar os ensinamentos da fé que sigo, o resultado das minhas experiências em sociedade e seguindo a lei que rege o nosso Estado (laico, por sinal). E em todas estas três "fontes", aprendi a respeitar a religião e as crenças de outras pessoas -- e também quem segue a direção de não acreditar ou questionar.

Sempre acreditei que cada um é responsável pelo o que pensa e pelo o que faz, até porque ele deveria, em tese, ser responsabilizado quando rompesse com o que está acordado entre os cidadãos de uma sociedade. Desta forma, você pode ser evangélico, católico, islamico, judeu, ubandista, espirita... é seu direito.

Quando se lê os ensinamentos de cada religião, pelo menos a ideia macro, sem entrar em particularidades de um ou outro grupo específico, todos direcionam aos ensinamentos de seres espirituais que pregam o carinho, o respeito (no caso dos cristãos - evangélicos e católicos) ou na justiça (judeus), evolução espiritual, esperança (espíritas) etc. Ou seja, no princípio é tudo certo e admirável, mas infelizmente há quem deturpe tudo isso.

O mal exemplo dado por este pastor pode passar batido por muitos, mas é certo que contribui para que as pessoas se tornem cada vez mais intolerantes para com a fé alheia. Do mesmo modo que os evangélicos são injustamente esteriotipados pelas outras crenças, responder de forma igual não vai ajudar em nada na evolução do ser humano. Pode-se até acreditar que vá obrigar a outra pessoa a aceitar o que você acredita como correto, mas ao contrário disso, vai apenas afastá-la e provocar mais e mais discórdia.

As religiões de matrizes africanas sofrem há séculos como preconceito e também são estigmatizadas. É verdade, há divisões que praticam atos que não são aceitadas aos olhos do que entendemos como correto, mas existem inúmeras outras que até repudiam esta questão -- justamente o caso dos ubandistas, que creem na paz e pregam boas mensagens. É uma questão de estudar as diferenças entre elas e procurar entender.

Religião é uma daqueles temas que sempre se recomenda nunca discutir, pois sempre gera acaloradas discussões que nunca têm conclusão pois envolvem fatores emocionais, experiências de vida etc. Ok, é verdade, em termos. Não se deve julgar, mas é extremamente recomendável estudar cada vez mais e sobretudo respeitar a decisão e o caminho que cada um escolheu para si.

Até porque... há uma coisa sagrada chamada livre arbítrio.

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