Alguns entenderam isso como a abertura de uma alternativa para quem acredita precisar de ajuda numa questão de foro intimo, já outros enxergam uma perigosa brecha na justiça que possa promover ainda mais o preconceito contra os membros da comunidade LGBTQ. As opiniões são contrárias, e o debate é fundamental, porém, infelizmente não é o que se vê.
Nos dois assuntos e em inúmeros outros a primeira reação é investir em memes de redes sociais, narrativas simplistas, frases de efeito visando mais converter alguém a um dos lados que esclarecer. A palavra "debate", infelizmente é normalmente ligada aos encontros em campanhas eleitorais promovidos no rádio e na televisão ou a um simples e enérgico bate boca onde há espaço até para xingamentos. É uma visão errada desta palavra que com certeza é uma das que deveria ser mais valorizada por todos, qualquer seja a situação.
Mais do que nunca, precisamos debater. E para isso, precisamos de argumentos, dados, provas e respeito. Cabeça fria e ser racionais, procurando entender o que acreditamos e compreender o que o outro lado pensa. Sempre que se leva uma discussão para o lado emocional ou se trata de forma superficial levando em conta apenas a experiência ou o achismo, o resultado das palavras e ações é apenas um: o extremismo.
Debater leva tempo. Mesmo na era das mensagens instantâneas, não é possível debater usando uma publicação de dez linhas. Muito menos em uma discussão de 10 minutos no cafezinho -- daí só sai opiniões com pouco fundamento e sem soluções. É melhor falar do tempo.
As pessoas costumam dizer que apenas professores, jornalistas ou nerds se interessam em ler e se aprofundar sobre tudo. Entendem isso como uma característica de uma profissão ou público. É como achar que apenas quem trabalha com o mercado financeiro deveria entender de finanças -- sabemos que isso seria desastroso: imagine você não saber quanto rende a sua poupança ou o juro do cartão ou ainda os descontos no seu salário?
É dever de todos, após a alfabetização, conciliar as experiências vividas na vida pessoal e o estudo e a análise do noticiário e da literatura do maior número de assuntos. É usar o tempo ocioso no ônibus, no banheiro, na fila do banco pra sempre procurar compreender um pouco mais dos mais diversos pontos de vista. Estamos na era do esquerda e direita e de criticar o do centro, mas você só vai saber qual destes é se antes entender a diferença entre eles.
Nos últimos anos, o brasileiro, e por que não dizer o mundo, procurou se tornar mais politizado. A facilidade de obter informação gerou uma enxurrada de comentaristas de internet (bons e ruins). Ainda estamos aprendendo e errando muito. O problema de se errar quando se trata de comunicação é que o seu erro contamina os demais e pode levar a um atraso na evolução da sociedade, ao invés de ajudar a colocar as coisas em ordem. Por isso é preciso cuidado e prudência no que se publica, repassa e propaga.
Pra resumir: comente (no sentido de julgar) menos, leia mais, pense, tire dúvidas e debata longamente e de forma séria e profunda os assuntos. Depois disso, mantendo ou não sua opinião, coloque isso em prática na sua vida e mostre ao mundo que isso é bom, respeitando sempre a vontade alheia de aceitar ou não seguir o caminho que você acredita ser correto. É assim que se faz uma sociedade mais inteligente.

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