O Brasil sofre muito com a falta de arquitetos e urbanistas com força política para implementar projetos úteis a população. E o resultado são obras demoradas, que ficam feias rapidamente e o pior: quase sempre ineficientes e saturadas.
Curitiba, ao contrário, sempre fugiu a esta regra. Os esforços de Jaime Lerner em fazer da capital paranaense um modelo para o mundo foram bem sucedidos. Enquanto hoje vemos políticos encherem a boca para vender o BRT como uma grande novidade, lá em 1974 ele já tinha realizado o Ligeirão, com suas estações tubo e o pagamento realizado antes do embarque.
Fiquei apaixonado por Curitiba no primeiro momento quando a visitei em setembro de 2018. Claro, ela começa a sofrer com essa letargia que tomou conta das grandes cidades, mas ainda preserva muito deste espírito moderno e voltado aos moradores como protagonistas e não os carros. Prova disso é o forte movimento na rua XV de Novembro e em outros pontos, como a Ópera de Arame. A ocupação da cidade pelos munícipes ainda é um sonho distante por aqui...
Voltando a falar sobre Lerner, há alguns anos assisti a uma de suas palestras no TED sobre mobilidade. Ele falou sobre a última milha no transporte urbano. E sugeriu a adoção de um moderno carrinho, que poderia completar a viagem na volta do trabalho incentivando o uso do Metrô e dos outros modais para as grandes distâncias. Atualmente o Uber tem feito este papel para quem tem condições. Quem dera isso fosse implementado algum dia.
Sou um profundo admirador das políticas de mobilidade e vida na cidade. Uma comunidade viva, dona de seu pedaço, vence qualquer dificuldade e vai prosperar sempre. Por isso devemos nutrir um olhar otimista buscando sempre a modernidade.
No filme "Uma História de Sonhos", ele diz uma frase emocionante sobre sonhos. Vale a pena ver neste vídeo.
Descanse em paz, Jaime Lerner. O Brasil agradece o exemplo.


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