18/09/2017

O velório de Marcelo Rezende

Não imaginava que a primeira vez que estaria na Assembleia Legislativa seria para ver pela última vez um dos maiores nomes do jornalismo investigativo: Marcelo Rezende.

No sábado, quando o Reinaldo Gottino dera a notícia do falecimento, pensei muito sobre ir ou não ir ao velório. Sabe aquele questionamento de: "Se não conheci pessoalmente em vida, será que é correto ir na partida?". Enfim, acabei indo. Minha mãe, fã do apresentador preferiu não ir e acompanhar pela televisão. Ela imaginava que não aguentaria a tristeza daquele momento.

Será mesmo que uma pessoa que está tão distante fisicamente da gente, dentro de um estúdio, cercado de câmeras e luzes pode criar uma conexão tão forte com quem está em casa? Sim, pode.

Assembleia Legislativa - foto do velório


Ao longo do meu curso na faculdade e as experiências vividas até mesmo antes de ingressar na área, sempre percebi e fiquei curioso sobre essa relação de amizade que envolve os comunicadores e o público. Quando cheguei ontem na fila, encontrei e troquei algumas palavras com algumas senhoras que acompanham o Cidade Alerta. Muitos destes diálogos tiveram início por iniciativa delas, que queriam dividir um pouco da dor e da saudade que terão de seu companheiro de todas as tardes.

Ser apresentador de televisão ou rádio é fazer parte de uma indústria. Geralmente quem trabalha com isso precisa seguir o que os indicadores e pesquisas de audiência determinam, visando melhorar a visibilidade do produto e um resultado financeiro melhor para a emissora. Faz parte do jogo. Isso pode causar alguma distorção entre o que o apresentador e o ser humano é na realidade (da vestimenta até o modo de falar ou agir). Será que o apresentador é daquela mesma maneira fora do estúdio?

Pelos relatos, Marcelo era sim boa gente. Amigo, interessado e solidário. Entretanto, muito rígido e defendia, às vezes de forma não muito gentil, o que achava correto na produção de uma matéria. Demonstrava ser franco, o que é importante ao equalizar a necessidade de fazer um trabalho que dê audiência e ao mesmo tempo supra as necessidades do telespectador (até mesmo a carência emocional de muitos).


Problemas na organização

O clima de organização no local durou pouco mais de 20 minutos. Visivelmente despreparado, o esquema de segurança da Assembleia deve ter substimado a quantidade de pessoas que iriam ao local ou como elas se comportariam. Nos primeiros instantes, um policial chegou a orientar pedindo que se evitasse gritos ou contato com o caixão e que o fluxo fosse contínuo. Porém, mesmo com as pessoas se comportando próximo ao corpo, pouco depois não houve mais controle da fila e muitos entraram várias vezes, atrapalhando quem chegou depois. Do lado oposto, artistas e empresários ficaram numa situação no mínimo incômoda e até insegura naquele momento: por falta de um cordão de isolamento (colocaram apenas uma grade uma hora depois, que pouco adiantou), tipo esses existentes em grandes eventos onde entram convidados, as personalidades precisavam disputar espaço com os fãs. Eles precisaram equilibrar, imediatamente, o fato de estar se despedindo de um amigo, a dor do luto e ter de dar atenção aos fãs que impediam sua passagem. Acabou sendo constrangedora a falta de estrutura, de algo que seria, como disse, de facil solução.


A despedida foi dura para todos e esta foto que usei no post resolvi tirar bem distante do local. Uma forma de registrar este domingo, mas também de respeitar o momento. No meu entender, aquele momento era de apenas desejar boas energias a alma de Rezende e a sua família. Que eles fiquem bem.

Um abraço a todos os fãs e aos colegas da Rede TV, Globo, Record e Band, que conviveram com ele.

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